Minerais raros incrementam o desenvolvimento tecnológico
O Brasil ocupa uma posição privilegiada por concentrar uma das maiores reservas de minerais raros do planeta

O Brasil possui cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio e a segunda maior reserva de terras raras, estimada em 21 milhões de toneladas de óxidos, o que corresponde a aproximadamente 23% do total global. A presença desses recursos concentra‑se principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Amazonas e Bahia.
A demanda internacional por minerais raros cresceu de 240 mil toneladas de óxidos de terras raras em 2020 para 390 mil toneladas em 2024 conforme dados do United States Geological Survey (USGS). Esses materiais são utilizados na produção de baterias, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos de defesa e ímãs permanentes de alta performance.
O USGS indica que a China responde por cerca de 60% da mineração mundial de terras raras e mais de 85% do processamento e fabricação de ímãs de alta performance. Essa concentração tem motivado países consumidores — Estados Unidos, União Europeia, Japão e Coreia do Sul — a buscar alternativas que reduzam a dependência chinesa.
Vininha F. Carvalho, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios, destaca que os critérios adotados pelos países importadores incluem abundância de reservas, estabilidade institucional e competitividade de custos. Segundo Carvalho, a estratégia de diversificação pode favorecer parceiros que atendam a esses requisitos.
Apesar da extensão das reservas, a produção nacional de minerais raros representa cerca de 1% da oferta mundial. Marco Giroto, especialista em educação tecnológica e fundador da SuperGeeks, aponta que a inserção do Brasil na nova economia global depende da formação de profissionais qualificados para operar e desenvolver tecnologias de ponta. Ele enfatiza que a inovação requer capital humano preparado.
A ampliação da cooperação internacional e o desenvolvimento de políticas que integrem o Brasil ao mercado global de tecnologias emergentes são apontados como fatores críticos para transformar a abundância de recursos em valor agregado. "O debate sobre minerais estratégicos deve, portanto, avançar em paralelo com iniciativas que fortaleçam a capacidade produtiva e a qualificação da força de trabalho no país", conclui Vininha F. Carvalho.